"Crime organizado é pior que terrorismo"
Sebastiaan Gottlieb*
22-05-2008
O jornalista da inglesa BBC, Misha Glenny, descreve em seu livro recém-lançado o surgimento do crime organizado após a queda do império soviético. Estima-se que o crime organizado participe de 15% de toda a atividade econômica mundial. Em Mc Máfia: uma jornada pelo submundo criminoso global , Glenny descreve como as organizações criminosas operam sem fronteiras. Segundo ele, o crime organizado é mais perigoso do que o terrorismo.
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O escritor afirma que as recentes prisões de conhecidos criminosos russos e sérvios possam indicar que a Rússia queira colocar um fim ao capitalismo mafioso que se instaurou no país durante o vácuo de poder, após a queda do império soviético. Putin mapeou todas as atividades econômicas do país, colocando-as sob supervisão do Estado após grande parte dela ter passado para as mãos de bandos criminosos, a partir de 1989.
Sanções e máfia: O jornalista conta que o mesmo processo ocorreu na desintegração da antiga Iugoslávia. Com a guerra civil e as rivalidades étnicas, a situação na região se tornou ainda mais complexa. Com as sanções internacionais e o embargo de armas para a região, os Balcãs tornaram-se uma grande zona mafiosa.
Enquanto os políticos em conflito não se comunicavam entre si, bandos criminosos de países vizinhos, mesmo de etnias inimigas, continuavam se comunicando e tocando as suas atividades ilegais, como o contrabando de drogas, cigarros, prostituição, entre outros.
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Glenny não acredita que o crime organizado coloque em perigo a estabilidade política da Europa. Segundo ele, os criminosos querem apenas participar das atividades econômicas do continente. A transferência da produção de drogas sintéticas para a Europa, tais como ecstasy na Holanda, por exemplo, pode ser um fator desestabilizante por provocar uma diminuição da demanda de cocaína da Colômbia e heroína do Afeganistão.
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McMafia: A Journey Through
the Global Criminal
Underworld é o título em
inglês. O livro de Misha
Glenny ainda não foi
traduzido para o português.
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Para o jornalista, este desenvolvimento também tem as suas vantagens já que a guerra contra as drogas das tropas da Otan, no Afeganistão, até então, parecia invencível. Glenny acha que aquela guerra ainda pode colocar em perigo a existência da própria Otan.
Perigo mundial
O terrorismo é muito menos perigoso se comparado com o crime organizado, de acordo com o jornalista. Ele exemplifica o seu pensamento com o número de vítimas fatais na guerra da República Democrática do Congo, dos últimos anos, com mais de cinco milhões de mortos.
"Aquela guerra era simplesmente pelo domínio dos lucros provenientes do rico subsolo de minerais do país", disse o jornalista britânico. "É inacreditável que aquela guerra tenha tido pouca atenção da Comunidade Internacional. Uma das razões, talvez, seja que as vítimas do Congo, na África, fossem negras e menos interessantes que os três mil brancos que morreram durante o ataque terrorista de 11 de setembro, em Nova Iorque", acrescentou
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Para Glenny, é preocupante a falta de cooperação internacional na luta contra o crime organizado. "Mais preocupante ainda, disse ele, é a falta de cooperação internacional no campo das mudanças climáticas, o que pode ser muito mais devastador para o mundo do que o crime organizado". O livro do jornalista Misha Glenny ilustra a atuação do crime organizado no mundo e os bilhões de lucros auferidos por bandos de criminosos.
* Adaptação: Luís Henrique de Freitas Pádua |
"É preciso ser justo antes de ser generoso"
Nícolas Chamfort
Micha Glenny
Foto: Ralph Glenny
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