Brasil

 

25 de maio de 2007, 15h40

PF acusa escritório de detetives de fazer espionagem contra a Petrobras

Relatório diz que GDK e outras empresas teriam contratado o Investiga

Relatório da Operação Navalha acusa o escritório de detetives particulares Investiga - Investigações e Perícias de fazer espionagem sobre a refinaria da Petrobras em São Francisco do Conde, na Bahia, a segunda maior do país. O documento, já encaminhado à ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), acusa ainda a GDK e uma outra empresa de encomendar serviços de espionagem ao Investiga. A polícia sustenta que a central de grampos ilegais estava amparada na cumplicidade de cinco funcionários da telefônica Oi/Telemar, em Salvador.

A Polícia Federal se deparou com a central de grampos ao investigar o suposto envolvimento do delegado aposentado Joel Almeida Lima, ex-superintendente da instituição na Bahia, com empresários alvos da Operação Octopus, ponto de partida da Operação Navalha. Segundo o relatório reservado, no início de abril do ano passado, um homem identificado apenas como Gonçalves pediu a Tisciano dos Santos Silva para providenciar "o extrato telefônico do terminal (71) 3604-2816 da Petrobras". Segundo o relatório, Tisciano é funcionário da companhia telefônica e presta serviços para o Investiga.

O telefone (71) 3606-2816 é da Casa de Controle da Petrobras, em São Francisco do Conde, a cerca de 60 quilômetros de Salvador. Tisciano repassou o pedido a Windson, funcionário da Oi/Telemar. Mas, como não tinha meios técnicos de atender o pedido, Windson teria repassado a Tisciano o extrato emitido a partir do número (71) 3604-2800, telefone geral da empresa.

Durante as investigações, os policiais apreenderam uma cópia de um extrato do telefone da Petrobras que Windson teria enviado a Tisciano por e-mail. Com autorização judicial, eles acessaram o e-mail de Tisciano e retiraram a cópia do extrato.

Num outro trecho do relatório, a PF informa que a GDK teria pago R$10 mil por serviços de espionagem do Investiga, escritório que o delegado Joel Almeida tem em sociedade com Leonardo Dias Dalcom. Uma das tarefas dos espiões seria grampear um telefone fixo na cidade de Santa Bárbara.

O relatório não esclarece se existe ou não alguma relação entre os serviços encomendados pela GDK e a invasão da conta telefônica da Petrobras. Em nota enviada ao GLOBO, a GDK negou "qualquer envolvimento da empresa com interceptações ou levantamentos de extratos telefônicos ilegais". Segundo a nota, Leonardo Dalcom presta à GDK "serviços internos de manutenção e verificação de segurança de linhas telefônicas". Procurada pelo GLOBO, por intermédio da assessoria de imprensa, a direção da Petrobras na Bahia não retornou a ligação.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                       

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"É preciso ser justo antes de ser generoso"
Nícolas Chamfort
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