“Não estou colocando o senhor Paulo Lacerda, a quem admiro pelo trabalho, na condição de suspeito, longe disso. É uma pessoa que pode ajudar muito a CPI a esclarecer como, por exemplo, se compram esses equipamentos de escuta e quem trabalha nesse ramo”, afirmou o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR).
Grampos
Segundo a revista Veja, que citou relatório produzido pelo setor de segurança do STF, o gabinete do assessor-chefe do presidente do Supremo foi alvo de uma “provável escuta” clandestina. O ministro Gilmar Mendes também usa o local para tomar decisões. A “provável escuta” foi detectada em 10 de julho, um dia depois de o magistrado ter soltado, pela primeira vez, o banqueiro Daniel Dantas. A assessoria de imprensa do Supremo confirma a espionagem. A Veja só não afirma que efetivamente ocorreu o grampo porque o setor de segurança não conseguiu captar, na hora da varredura, conversas feitas dentro do gabinete.
A reportagem sustenta também que o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, pode ter sido espionado. A assessoria do Planalto não confirmou se ele foi ou não vítima da prática. Ontem, o ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou não acreditar que tenha havido escutas ilegais. “Mas a Polícia Federal está à disposição para investigar, se for o caso”, disse. “Os fatos são graves e, diante do que se sabe, seria interessante o depoimento de Paulo Lacerda”, retrucou Jungmann.
O deputado ressaltou que pretende conversar com o presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), e o relator, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), sobre o caso. Nesta semana, estão previstos dois importantes depoimentos na comissão. Amanhã, o juiz Fausto de Sanctis, responsável pelo inquérito da Operação Satiagraha. Um dia depois, será a vez do banqueiro Daniel Dantas. A oposição pretende colocar em votação ainda pedidos para convocar Gilberto Carvalho, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh e o ex-ministro Luiz Gushiken.
No contra-ataque, a base aliada quer chamar integrantes do governo FHC, como o ex-ministro Mendonça de Barros e o ex-presidente do BNDES, Andrea Calabi.
Fonte: Correio Braziliene
|